Nossas redes sociais

Economia

Boulos critica aumento do preço do diesel nos postos e o classifica como “banditismo”

Postado

em

Boulos critica aumento do preço do diesel nos postos e o classifica como "banditismo"

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como “banditismo” a prática de postos de combustíveis que aumentaram o preço do óleo diesel nas últimas semanas.

“Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular”, afirmou.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (20), durante a saída de um evento sobre política assistencial, na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

Para Boulos, o aumento do óleo diesel no país não é justificado pela guerra no Oriente Médio, uma vez que o governo federal anunciou medidas para conter a escalada de preços, como a redução a zero das alíquotas de impostos federais que incidem sobre o combustível (PIS e Cofins).

“O presidente Lula zerou o PIS/COFINS. As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo”, criticou.

As medidas do governo têm como objetivo evitar que o preço do petróleo no mercado internacional impacte a inflação no Brasil.

O barril do óleo tipo Brent, referência internacional de preço, é negociado nesta sexta-feira por volta de US$ 110 (cerca de R$ 580). Antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o produto era cotado pouco acima de R$ 70.

Boulos confirmou que terá, na próxima quarta-feira (25), um encontro no Palácio do Planalto com lideranças de movimentos de caminhoneiros, que chegaram a ameaçar uma greve da categoria devido ao aumento do combustível.

No entanto, em assembleia no Porto de Santos, na quinta-feira (19), os caminhoneiros decidiram não cruzar os braços.

“Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro”, contou.

O ministro lembrou que o governo se comprometeu a atender às demandas dos caminhoneiros.

“Atuação enérgica, que já está sendo feita, para conter a escalada especulativa do preço do diesel”, citou.

Boulos informou que a Polícia Federal (PF) e órgãos de defesa do consumidor estão realizando operações diárias, que podem resultar em prisões.

“Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, aumento de multas e o próximo passo é a prisão de representantes deles”, descreveu.

A outra demanda, segundo o ministro, foi atendida pela Medida Provisória (MP) 1.343/2026, publicada na quinta-feira (19), que pune transportadoras que não cumprirem o piso estabelecido para o frete.

“Não dá para as grandes empresas não cumprirem o piso mínimo”, reclamou.

Boulos explicou que o texto da MP foi negociado com os caminhoneiros e que apenas multas não estavam inibindo os donos de transportadoras.

“Já havíamos nos reunido com os caminhoneiros no fim do ano, o governo intensificou a fiscalização, mas mesmo com as multas que superam R$ 400 milhões nos últimos três meses, eles continuam [a descumprir], parece que compensa para eles ter a multa e não pagar o piso”, disse a jornalistas.

A MP determina que, em caso de reincidência das grandes transportadoras, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado.

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, desencadeou um choque global de preços do petróleo. Uma das formas de retaliação do Irã é o ataque a países vizinhos produtores de petróleo e o bloqueio do Estreito de Ormuz, que é a ligação marítima entre os golfos Pérsico e Omã, ao sul do Irã. Por ali, passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.

A tensão na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, elevando a cotação dos preços. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.

No Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14), mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pela desoneração (redução de tributos) efetuada pelo governo.

O governo também propôs aos estados a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado.

Fonte: Agência Brasil