Nossas redes sociais

Internacional

Brasil reprova agressão de Israel ao Líbano durante cessar-fogo

Postado

em

Brasil reprova agressão de Israel ao Líbano durante cessar-fogo

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil condenou os ataques de Israel contra o Líbano, que ocorreram um dia após o cessar-fogo anunciado por Irã e Estados Unidos (EUA) no Oriente Médio.

“A intensificação dessa ofensiva ocorre na sequência do anúncio, na última noite, de cessar-fogo no conflito armado no Oriente Médio e ameaça envolver a região em nova escalada de violência e instabilidade”, afirmou o ministério em nota.

O Itamaraty destacou que os ataques visaram extensas áreas e resultaram em um saldo inicial de 254 mortos e 1.165 feridos. O governo brasileiro reiterou sua defesa à soberania e integridade territorial libanesa.

“Brasil insta Israel a suspender imediatamente suas ações militares e a retirar todas as suas forças do território libanês. Exorta, ainda, as partes envolvidas a cumprirem integralmente os termos da Resolução 1.701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, diz o comunicado do MRE.

A Resolução 1.701 de 2006, adotada por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU, apela para um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah no Líbano, com a criação de uma “zona tampão” entre os dois países, a ser controlada pela missão de paz da ONU no Líbano (Unifil).

Cessar-fogo violado

Apesar do cessar-fogo anunciado por EUA e Irã, Israel iniciou a maior ofensiva no Líbano desde o início da atual fase do conflito.

O Irã já ameaçou romper com o cessar-fogo devido às agressões israelenses, enfatizando que o acordo previa a trégua em todas as frentes de batalha no Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Líbano não estava incluído no acordo, mas o mediador do cessar-fogo, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou que o fim dos combates no Líbano fazia parte das negociações.

Países como França, Reino Unido, Espanha e representantes da União Europeia têm pressionado para que o Líbano seja incluído no acordo de cessar-fogo.

Nesta quinta-feira, o presidente do Líbano, Masoud Pezershkian, declarou que a continuidade das agressões contra o Líbano torna as negociações para o fim da guerra “sem sentido”.

Entenda

Os bombardeios de Israel contra o Líbano foram intensificados com o início da guerra no Irã, após o Hezbollah retomar ataques contra Israel no dia 2 de março.

O Hezbollah alegou agir em retaliação aos ataques de Israel contra o Líbano nos últimos meses e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em resposta à invasão e ocupação de Israel no Líbano, que visava perseguir grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do Líbano. Ao longo dos anos, o grupo se tornou um partido político com assentos no Parlamento e participação nos governos.

O Líbano foi atacado pelo governo de Israel em 2006, 2009 e 2011.

Atual fase

A atual fase do conflito entre Israel e o Hezbollah está relacionada à destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. O Hezbollah começou a lançar foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar a defesa israelense.

Em novembro de 2024, foi firmado um acordo de cessar-fogo entre o grupo xiita e o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, após Israel conseguir eliminar lideranças do Hezbollah.

No entanto, Israel continuou com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, alegando atingir a infraestrutura do Hezbollah, que evitava reagir até o início da guerra no Irã.