Internacional
Países do Atlântico Sul promovem a defesa de uma região livre de conflitos e armamentos nucleares

Os países do Atlântico Sul, região situada entre a África e a América do Sul, publicaram, nesta quinta-feira (9), uma declaração com uma série de compromissos relacionados à paz, segurança e desenvolvimento sustentável.
O documento marcou a conclusão da IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), realizada no Rio de Janeiro, sob a presidência do Brasil.
Em um contexto de guerra no Oriente Médio, o grupo afirmou que irá preservar o Atlântico Sul como uma zona livre do “flagelo da guerra”, “rivalidades entre grandes potências”, “disputas geopolíticas extrarregionais”, “armas nucleares” e “outras armas de destruição em massa”.
Além disso, foi solicitada a retomada das negociações sobre as Ilhas Malvinas entre Argentina e o Reino Unido, com o objetivo de alcançar uma solução “pacífica, justa e duradoura”. O arquipélago é controlado pelo Reino Unido, mas a Argentina considera que há uma ocupação ilegal e reivindica a posse do território.
A Argentina também é mencionada em um item da declaração que aborda o “peso histórico da rota transatlântica no tráfico de pessoas escravizadas”. O grupo defende a ampliação dos esforços para combater o racismo e promover a igualdade racial. Além disso, cita a resolução 80/250 das Nações Unidas, de 25 de março deste ano, que reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade.
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A Argentina, que já havia rejeitado a resolução da ONU ao lado dos Estados Unidos e de Israel, incluiu um adendo no documento da Zopacas, afirmando que luta contra o racismo, mas que “dissocia-se das referências a certas iniciativas e documentos”, em clara alusão à decisão da ONU.
Meio Ambiente
A declaração da Zopacas contém várias menções sobre meio ambiente e clima. O grupo elogiou a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém no ano passado. Destacou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) e incentivou potenciais investidores a aderirem ao esforço de capitalização.
O documento também menciona os resultados da agenda oceânica, como o lançamento do Plano para Acelerar Soluções Climáticas Baseadas nos Oceanos (o Pacote Azul), as adesões ao Desafio “Blue NDC” e a criação da Força-Tarefa “Blue NDC”.
Ainda nesse contexto, celebra a entrada em vigor, no início deste ano, do chamado Tratado do Alto Mar, que aborda a conservação e o uso sustentável da diversidade biológica marinha das áreas situadas além das jurisdições nacionais (BBNJ, na sigla em inglês). O entendimento é de que o acordo proporcionará maior proteção ao meio ambiente marinho do Atlântico Sul.
A presidência brasileira do Zopacas, ao reconhecer a importância do tema, lançou nesta quinta-feira a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul. Além do Brasil, quatro países aderiram ao documento: Cabo Verde, Guiné Equatorial, República do Congo e São Tomé e Príncipe.
A convenção possui 39 artigos que abordam temas como:
- Direito dos Estados de explorar recursos naturais nas áreas sob sua soberania
- Medidas para prevenir e controlar danos ao ambiente marinho
- Compromissos de proteção de ecossistemas raros ou frágeis
- Planos de emergência em casos críticos no ambiente marinho
- Proibição do despejo de substâncias tóxicas e resíduos perigosos
- Prevenção da poluição proveniente des terrestres
- Educação ambiental, sensibilização pública e cultura oceânica
- Proibições ou controles sobre atividades de pesca
Estratégias de cooperação
Um terceiro documento publicado pela Zopacas adota uma estrutura com estratégias de cooperação, que servem como instrumento político para a organização de eixos prioritários dos países. Não há caráter vinculante, o que significa que os países não são juridicamente obrigados a seguir as estratégias. A adoção se dá de forma voluntária.
O texto lista áreas de cooperação a partir de categorias temáticas, nas quais os países participantes reportarão resultados, desafios e lições aprendidas relativas a cada ação concluída.
As três áreas principais de cooperação são: governança oceânica; defesa e segurança marítimas; e meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Membros do grupo são incentivados a buscar mecanismos de financiamento para apoiar a implementação das ações acordadas, incluindo oportunidades oferecidas por organizações internacionais e regionais, parceiros de desenvolvimento e outrass voluntárias.